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Dudu Leal
O Brasil é um dos maiores exportadores da carne, chegando a 76 países em 2008

Suínos retornam à feira estimulando o apetite

Oficina de corte marcou a presença do animal na Expointer 2010

Da Redação

Esteio - Ela já foi considerada uma grande vilã no universo da alimentação saudável. Na década de 1950, quando o animal era criado apenas para consumo da banha, havia o mito de o porco ser um portador de doenças, conceito que, de certa forma, chega aos dias de hoje quase inalterado. Para reverter esse posicionamento e ressaltar os benefícios da carne suína, o Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (PNDS), em parceria com o Sebrae/RS), ofereceu ao público que passava pelo Armazém Sebrae a oficina Cortes e Manipulação da Carne Suína - Desossa e Preparação de Pratos, entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro.

 

Acostumada a consumir carne suína desde criança, a dona-de-casa Célia Marisa da Silva Alziro, 65 anos, nunca fez ressalvas na hora de comprar e consumir o produto. "Fui criada indo com meu pai no açougue para comprar o melhor corte para prepararmos as refeições; portanto, jamais tive receio de consumir", conta. Dona Célia é uma exceção. Grande parte dos brasileiros desconhece as propriedades nutricionais da carne suína e, principalmente, a evolução que a criação do animal e a tecnologia de armazenamento proporcionaram ao longo dos últimos 50 anos.

 

A apresentação foi coordenada pelo coordenador do PNDS no Rio Grande do Sul, Rodrigo Rizzo, com a participação do consultor de cortes Marcelo Conceição e da culinarista e professora de gastronomia Rejane Lorenzon na demonstração e preparo de receitas para degustação do público. Rizzo conta que, "antigamente, o animal era conhecido com porco-banha devido à carne ser apenas um subproduto, pois o objetivo era a extração da banha. Hoje a carne suína é extremamente saudável, e o porco é o único animal que pode ser utilizado por inteiro na gastronomia", explica. A iniciativa do PNDS foi lançada oficialmente no dia 1 de setembro e, segundo explica Rizzo, "tem o objetivo de aumentar o consumo per capita da carne suína, hoje em 13 quilos/ano no Brasil, e 20 quilos/ano no Rio Grande do Sul. A meta da campanha é aumentar em dois quilos o consumo do brasileiro".

 

Enquanto Rizzo apresentava as propriedades da carne e sua história, Marcelo e Rejane explicavam características de cada corte e preparavam pratos para serem degustados na hora. Acostumada a frequentar a Expointer acompanhada do filho, que é treinador de cavalos, dona Célia se surpreendeu com a iniciativa da oficina e o sabor das receitas, principalmente por desconhecer os diversos cortes e variedade de receitas. "Não tinha visto uma ação assim, não imaginei que ficasse bom preparar um strogonoff com a carne suína por exemplo".

 

Ao longo da oficina, foi preparado pastel com recheio de carne suína moída e erva-doce, strogonoff e iscas com legumes e geleia de rosas, receita que mais chamou a atenção de dona Célia. "Achei uma proposta interessante e diferente; o sabor é ótimo. Em todas as viagens que costumo fazer com um grupo da terceira idade, passando por diversos restaurantes, não havia encontrado tantas propostas diferentes como essas", exclamou.

 

Aquisição e preparo
Marcelo conta que o consumidor pode adquirir a carne suína tanto em açougues quanto em redes de supermercados, mas destaca que "nos açougues não há disponibilidade de todos os tipos de corte. É mais comum encontrar carré, costela, pernil e paleta", explica. Nos supermercados, segundo ele, a variedade é maior, e "o consumidor irá encontrar também peças em porções e cortes temperados em embalagens".

 

Rejane destacou que, dentro das ações do programa, há uma gama de receitas que utilizam a carne suína. "Termos os pastéis e o strogonoff, de que todos gostam e são de fácil preparo. Mas temos também receitas mais inusitadas, como o bife à parmeggiana e as iscas com geleia de rosas". Esse prato, segundo a culinarista, foi incrementado através de produtos que estão à disposição no Armazém Sebrae, "e conferem um sabor especial e muito saboroso. As pessoas ficam encantadas como aroma de rosas ao se aproximarem do prato. De uma forma geral,queremos incluir o consumo do suíno no dia-a-dia, não apenas em ocasiões especiais".

 

Marcelo destaca ainda que a carne suína está ao alcance de todos. "O preço é acessível, comparando ao de outras carnes. Um corte de pernil sem osso, por exemplo, não sai por mais de R$ 10,00. A paleta é ainda mais acessível, o quilo fica entre R$ 5,00 ou R$ 6,00", afirma. O Brasil é um dos maiores exportadores da carne, chegando a 76 países em 2008.

 

O retorno à Expointer
Afastado da Expointer em 2009, por recomendação do Ministério da Agricultura (Mapa) devido ao surto de gripe A, o suíno marcou forte presença na edição deste ano. O temor de 2009 era a contaminação que acontece de seres humanos para o animal. Com o aumento do valor de peso vivo em 2010, estimado em R$ 2,05 reais/quilo, a expectativa de negócios é superar os resultados da última edição, que fechou a cifra em R$ 44,87 mil.

 

Serviço:
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